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'Quando vi minha filha no chão, saí correndo', diz pai de menina atingida na cabeça por bala perdida em Maceió

A menina deu entrada no HGE em estado gravíssimo e passou por cirurgia. Ela estava com o irmão de um ano nos braços quando foi atingida por tiros disparados por homens encapuzados. Menina de 11 anos está internada no HGE

Carla Cleto

"Quando vi minha filha no chão, saí correndo. Não quis nem saber dos tiros que estavam sendo disparados naquela hora".

Esse é o relato do pai da menina A.B.S., de 11 anos, atingida na cabeça por uma bala perdida disparada por homens encapuzados na noite de domingo (21), no Benedito Bentes, em Maceió. Em entrevista ao g1, ele contou que a menina estava com o seu outro filho nos braços, de apenas 1 ano e 5 meses, que por pouco não foi atingido.

O pai pediu para não ser identificado. Ele disse que a filha passou por uma cirurgia, está intubada e foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado (HGE). Ele teve um contato rápido com ela e disse que a viu mexer o pé.

O homem contou que a filha saiu de casa para buscar um capacete na casa de uma pessoa conhecida e levou o irmão no colo. No meio do caminho, enquanto atravessava um campinho de terra, foi surpreendida pela chegada de aproximadamente 10 homens encapuzados, que subiram a mata atirando para todos os lados.

"Ela já estava pra cima do campinho, quase na esquina, quando os tiros começaram. Eu ouvi e corri pra porta, mas não dava pra sair porque era muito tiro. Aí uma menina veio correndo e disse que minha filha tinha corrido também pra se esconder. Mas quando olhei, vi só meu filho mais novo no chão chorando", disse o pai das crianças.

Nesse momento, ele disse que esqueceu dos riscos e saiu correndo ao encontro dos filhos. A menina estava caída de bruços e sangrando. Ele então começou a gritar pedindo ajuda.

O menino também precisou de atendimento médico porque teve um sangramento no ouvido, possivelmente provocado pelo barulho dos estampidos dos tiros e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Benedito Bentes. A menina também foi levada pra lá, inicialmente. Depois, foi transferida para o HGE, acompanhada pelo pai. A mãe ficou com o filho mais novo, recebendo atendimento.

O pai disse que não tem ideia da identidade os homens que subiram atirando. Falou ainda que essa é a terceira vez em pouco mais de uma semana que o grupo espalha terror na região, mas que agora já chegaram atirando. Ele teme pela segurança da família e dos vizinhos.

A Polícia Militar fez buscas no local, mas ninguém foi localizado. Os militares acreditam que os criminosos abriram fogo por causa da disputa pelo tráfico de drogas na localidade. A Polícia Civil vai investigar o caso.

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